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“Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves,
sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.” Victor Hugo O Segredo da Aprendizagem – Transformando a rotina em ritual Jane Baruki Ferreira Natural de Corumbá – MS. Psicóloga, pedagoga, especializada em Didática do Magistério e Eurítimia. Foi professora da Universidade Federal de MS e Psicóloga da Escola Philadelphia, em Santos- SP. Professora da Prefeitura Municipal de São Paulo. Artigos publicados na revista Special News, de Ribeirão Preto – SP. Pesquisa publicada na revista Dimensão, da UFMS. Colaboradora do projeto para o atendimento ao menor abandonado, Corumbá, MS. Estudiosa em Antroposofia, desde 1970. Em 2001, ministrou curso sobre estas técnicas para professores estaduais, em Portugal. “Professores e pais, essa obra foi escrita com o intuito de despertar a observação para as atividades intuitivas, criativas e artísticas que muitas vezes utilizamos e perdemos no tempo. Tomar consciência da importância dessas técnicas, na harmonização da sala de aula, no bem estar da criança e na memorização do conteúdo. Estruturá-las e utilizá-las num rítmo contínuo, é o que proponho como um desafio, pois num curto espaço de tempo, perceberão o quanto essas atividades são boas para as crianças, pais, e, melhor ainda, para o professor. O livro é um relato das minhas experiências do magistério”. (Jane Baruki Ferreira) Para adquirir o livro, acesse o link: Clube de Autores
Meus companheiros amados, não vos espero nem chamo: porque vou para outros lados. Mas é certo que vos amo. Nem sempre os que estão mais perto fazem melhor companhia. mesmo com o sol encoberto, todos sabem quando é dia. Pelo vosso campo imenso, vou cortando meus atalhos. Por vosso amor é que penso e me dou tantos trabalhos. Não condeneis, por enquanto, minha rebelde maneira. Para libertar-me tanto, fico vossa prisioneira. Por mais que longe pareça, ides na minha lembrança, ides na minha cabeça, valeis a minha Esperança. (Cecília Meireles) _____________________________________________________________________________________________________________ A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega. Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores. Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende. Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol. Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz. Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação. Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou. Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor. Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
(Cecília Meireles) Florianópolis – Foto: Pedro Mendonça | VOLVER Yo adivino el parpadeo De las luces que a lo lejos Van marcando mi retorno... Son las mismas que alumbraron Con sus palidos reflejos Hondas horas de dolor.. Y aunque no quise el regreso, Siempre se vuelve al primer amor.. La vieja calle donde el eco dijo Tuya es su vida, tuyo es su querer, Bajo el burlon mirar de las estrellas Que con indiferencia hoy me ven volver...
Volver... con la frente marchita, Las nieves del tiempo platearon mi sien... Sentir... que es un soplo la vida, Que veinte años no es nada, Que febril la mirada, errante en las sombras, Te busca y te nombra.
Vivir... con el alma aferrada A un dulce recuerdo Que lloro otra vez... Tengo miedo del encuentro Con el pasado que vuelve A enfrentarse con mi vida... Tengo miedo de las noches Que pobladas de recuerdos Encadenan mi soñar... Pero el viajero que huye Tarde o temprano detiene su andar... Y aunque el olvido, que todo destruye, Haya matado mi vieja ilusion, Guardo escondida una esperanza humilde Que es toda la fortuna de mi corazón.
Volver... con la frente marchita, Las nieves del tiempo platearon mi sien... Sentir... que es un soplo la vida, Que veinte años no es nada, Que febril la mirada, errante en las sombras, Te busca y te nombra.
Vivir... con el alma aferrada A un dulce recuerdo Que lloro otra vez... Composição: Carlos Gardel, Alfredo Le Pera | VOLTAR Eu adivinho o apagão das luzes Que de longe vão marcando o meu retorno. São as mesmas que iluminaram Com seu embaçado reflexo, Longas horas de dor. E por mais que não queiram sempre se voltam ao primeiro amor. A velha rua repete dizendo: A vida é sua, o querer é seu, O baixo olhar zombador das estrelas, Que com indiferença hoje me olham voltar. Voltar, Com o rosto murcho, A brancura do tempo, Prateou minha têmpora Sentir, Que a vida é um sopro, Que vinte anos não são nada, Que o olhar é ardente E vaga pelas sombras Buscando-te e chamando. Viver, Com a alma agarrada A uma doce recordação, Que me faz chorar de novo. Tenho medo do encontro Com o passado que volta A enfrentar minha vida Tenho medo das noites Que habitadas pelas recordações, Acorrentam meus sonhos Mas o viajante que foge, Cedo ou tarde detém o seu andar E ainda que o esquecimento destrua tudo, E mate a velha ilusão. Guardo escondida uma esperança humilde, Que é toda a fortuna do meu coração. Voltar, com o rosto murcho, A brancura do tempo, prateou minha têmpora Sentir, Que a vida é um sopro, Que vinte anos não são nada, Que o olhar é ardente e vaga pelas sombras Buscando-te e chamando. Viver, Com a alma agarrada A uma doce recordação, Que me faz chorar de novo. | __________________________________________________________________________________________________________________________ Estrella Morente Carbonell nasceu em Granada em 1981. Filha do maestro Enrique Morente, da bailarina Aurora Carbonell e neta do Guitarrista de Flamenco “Montoyita”, Estrella cresceu e amadureceu como artista num ambiente de Flamenco. Tem ganho inúmeros prêmios, nomeadamente os Prêmios “Onda” na categoria de melhor criação flamenca e esteve nomeada para os Grammys Latinos e Prêmios Amigo. Estrella Morente tornou-se a nova “musa”de Pedro Almodovar ao dar voz a "Volver", tema-título do filme do realizador espanhol. "Mujeres", álbum de tributo a grandes figuras femininas e do qual faz parte "Volver", foi nomeado para os Grammys Latinos. A filha primogênita de Enrique Morente já é considerada como um dos nomes mais promissores do Flamenco. SITE: www.estrella-morente.es Yesterday when I was young the taste of life was sweet as rain upon my tongue. I teased at life as if it were a foolish g ame, the way the evening breeze may tease a candle fl ame. The thousand dreams I dreamed, the splendid things I planned I always built alas on weak and shifting sand. I lived by night and shunned the naked light of the day and only now I see how the years ran away. Yesterday when I was young so many drinking songs were waiting to be sung, so many wayward pleasures lay in store for me and so much pain my dazzled eyes refused to see. I ran so fast that time and youth at last ran out, I never stopped to think what life was all about and every conversation I can now recall concerned itself with me and nothing else at all. Yesterday the moon was blue and every crazy day brought something new to do. I used my magic age as if itwere a wand and never saw the waste and emptiness beyond. The g ame of love I played with arrogance and pride and every flame I lit too quickly quickly died. The friedns I made all seemed somehow to drift away and only I am left on stage to end the play. There are so many songs in me that won't be sung, I feel the bitter taste of tears upon my tongue. The time has come for me to pay for yesterday when I was young
Ontem, quando eu era jovem o gosto da vida era doce como a chuva em minha língua. Eu brincava com a vida como se ela fosse um jogo bobo assim como a brisa da noite brinca com a chama de uma vela. OS milhares de sonhos que sonhei, as coisas esplêndidas que planejei eu sempre construí em areia fraca e mutante. Eu vivia pela noite e me escondia da luz do dia e só agora eu vejo como os anos se passaram. Ontem quando eu era jovem tantas músicas sedentas por serem cantadas tantos prazeres caprichosos esperando por mim e tanta dor que meus olhos confusos recusaram ver. Eu corri tão rápido que o tempo e a juventude enfim se foram, eu nunca parei para pensar sobre o significado da vida e cada conversa que me lembro falava sempre de mim e de mais nada. Ontem a lua era azul e cada dia louco trazia algo novo para fazer. eu usava minha idade mágica como se fosse uma varinha de condão e nunca enxerguei o desperdício e o vazio por trás de tudo. O jogo do amor que eu joguei com arrogância e orgulho e cada chama que acendi muito rápido, muito rápido se foi. OS amigos que fiz parecem ter desaparecido de alguma forma e só eu fiquei no palco para terminar a peça. Existem tantas músicas em mim que não serão cantadas, Sinto o gosto amargo das lágrimas em minha língua. O tempo chegou em que tenho que pagar pelo ontem, quando eu era jovem.
Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos. Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos. Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge. Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram. Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a. Minha virtude era esta errância por mares contraditórios, e este abandono para além da felicidade e da beleza. Ó meu Deus, isto é minha alma: qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário, como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera... (Cecília Meireles)
Vejo-te em seda e nácar, e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera, toda a Beleza em lágrimas por ser bela e ser frágil. Meus olhos te ofereço: espelho para face que terás, no meu verso, quando, depois que passes, jamais ninguém te esqueça. Então, de seda e nácar, toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero o rosto meu, nas lágrimas do teu orvalho... E frágil. (Cecília Meireles) Eugene de Blaas ou Eugen von Blaas (Albano, próxima a Roma, Itália, 24 de julho de 1843 - 10 de fevereiro de 1932) Pintor da escola conhecida como Classicismo Acadêmico. Foi o primeiro pupilo de seu pai, o pintor austríaco Karl Ritter von Blaas. Posteriormente, aluno da Academia de Artes de Veneza, Viena e Paris. Seu irmão mais novo, Julius B. Blaas, tornou-se, também, um popular pintor retratando animais. Eugene estabeleceu-se em Veneza como professor consagrado. Especializou-se em descrever uma escala larga das cenas venezianas, retratando povos italianos em seus ambientes nativos. Usou modelos para suas obras de pessoas de todos os níveis da sociedade. Teve seus trabalhos exibidos na Academia Real de Londres, entre 1875 e 1892.
GALERIA EUGEN VON BLAAS Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo é do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li o que julguei que senti. Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu. (Fernando Pessoa)
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